APRENDIZAGEM E SEUS POSSÍVEIS AMBIENTES
Camilla de Oliveira Vieira
Pela internet não só navego, posso enriquecer-me. Em bibliotecas não só leio, posso aprender e descobrir. Em museus e exposições não só vejo, posso também deixar-me sentir. Em cinemas posso não só assistir, como posso emocionar. Em viagens não só me desloco, como também posso modificar-me. Em bares e restaurantes não só como e bebo como posso relacionar-me. Em sala de aula não só freqüento como posso buscar acréscimos. Enfim... Todos os lugares podem se tornar ambientes de aprendizagem. Basta envolver, buscar sentido, transformar-se e possibilitar a experiência.
Não há dúvidas que a aprendizagem seja um fenômeno muito complexo, envolvendo vários aspectos humanos sejam eles, cognitivos, emocionais, físicos, sociais e culturais. Considero aprendizagem como o processo em que o homem atua como sujeito no desenvolvimento de aptidões possibilitado por estratégias subjetivas as quais possibilitam a transformação no campo do conhecimento.
Atuar como sujeito representa a característica básica da aprendizagem a qual deve ser pessoal e, sobretudo estimulada. Não vejo a hipótese em que um professor transmite conhecimentos a um indivíduo. É mais coerente aceitar que a aquisição do conhecimento se dá de forma conquistada, construída e sentida pelo aluno.
A necessidade de haver estratégias para a construção da aprendizagem resulta no fato que os indivíduos apresentam um conjunto próprio de formas que propiciam o processo de aprendizagem pelas quais cada pessoa aprende a seu modo, estilo e ritmo.
Uma vez que o processo de aprendizagem se dá no interior do sujeito, estando, entretanto, intimamente ligado às relações de troca que o mesmo estabelece com o meio, o ambiente onde ele se encontra torna-se peça fundamental para a construção do conhecimento. A teoria de Piaget, explica o conhecimento por meio da interação do sujeito com o meio ambiente físico e social, sendo a aprendizagem entendida como a própria adaptação obtida num processo de equilibração e desequilibração constantes. Na prática, trata-se de uma aprendizagem que o indivíduo busca segundo suas próprias capacidades que, por sua vez, são resultantes das estruturas já construídas. Sendo assim, além da aprendizagem de conteúdos, o indivíduo também aprende a aprender.
Gómes e Alvarado, iniciam o artigo, ‘Disenando ambientes digitales para recrear oportunidades de aprendizagem’ com a seguinte pergunta: “¿Como podemos maximizar las posibilidades de aprendizage que nos ofrecen las tecnologias de la información y la comunicación?” Aproveitando a ocasião, questiono da seguinte forma: Como podemos aumentar as possibilidades de aprendizagem que nos oferecem os diferentes ambientes?
A primeira grande questão a ser levantada é a quebra de um paradigma que considerava a aprendizagem possível apenas dentro das quatro paredes de uma sala de aula. Nevado propõe algo dialogando que “se pensarmos no desenvolvimento da humanidade e mesmo no desenvolvimento do sujeito, vemos, analogamente que os espaços e tempos construídos modificam-se durante a evolução intelectual e evolução das técnicas.” E destaca a necessidade de pensar uma nova forma ‘possível’ de organização educativa que já não reúne seus estudantes e professores em um mesmo prédio, em salas de aulas específicas para cada nível ou série, com horários específicos para a realização das atividades de ensino-aprendizagem.
Não considero que exista ambientes melhores ou piores que outros. O que há, é a possibilidade de estratégias adequadas ou inadequadas com relação a cada objetivo em específico. Para exemplificar imaginemos que o conhecimento construído a respeito de um determinado pintor do século passado é mais conveniente se possibilitado por uma experiência visual e presencial em um determinado museu que a observação de uma figura em preto e branco apresentada em uma sala de aula.
Embora José Armando Valente em ‘Criando ambientes de aprendizagem via rede telemática’ se limita a pesquisar os ambientes de aprendizagem possibilitados pela informática, utilizo suas colocações para abordar os ambientes como um todo. Embora o autor aborde quatro pontos fundamentais que deve estar presente na formação do professor para atuar pela informática tais pontos servem também como base para outros tipos de ambientes. Veja:
Propiciar ao professor condições para entender o computador (leia-se novo ambiente) como uma nova maneira de representar o conhecimento, provocando um redimensionamento dos conceitos já conhecidos e possibilitando a busca e compreensão de novas idéias e valores;
Propiciar ao professor a vivência de uma experiência que contextualiza o conhecimento que ele constrói;
Prover condições para o professor construir conhecimento sobre as técnicas computacionais, (leia-se sobre os diferentes ambientes) entender por que e como integrar o computador (leia-se outros ambientes) em sua prática pedagógica e ser capaz de superar barreiras de ordem administrativa e pedagógica;
Criar condições para que o professor saiba recontextualizar o que foi aprendido e a experiência vivida durante a formação para a sua realidade de sala de aula, compatibilizando as necessidades de seus alunos e os objetivos pedagógicos que se dispõe a atingir.
Dessa forma, considerando que o homem aprende quando aquilo que lhe é apresentado torna para si uma experiência, o modifica e, sobretudo possibilita o diálogo e a reflexão, as possibilidades de aprendizagem aumentam quando o professor disponibiliza diferentes ambientes que estabelecem relação com a necessidade do aluno, que correspondam aos diversos anseios e tipos de inteligências, já que os indivíduos apresentam um conjunto próprio de formas que propiciam o processo de aprendizagem pelas quais cada pessoa aprende a seu modo, estilo e ritmo.
GÓMEZ, Andrea Anfossi ALVARADO, Virginia Quesada. Diseñando ambientes digitales para recrear oportunidades de aprendizaje – Una experiencia para la formación de educadores.
NEVADO, Rosane Aragón. Estudo do possível piagetiano em ambientes de aprendizagem: é possível inovar em ead utilizando recursos telemáticos? Disponível em http://pontodeencontro.proinfo.mec.gov.br/possivelrosane.pdf. Acesso
PIAGET, J. O Desenvolvimento do Pensamento. Equilibração das Estruturas Cognitivas. Lisboa: Publicações Dom Quixote.
VALENTE J.A. (1999). Análise dos Diferentes Tipos de Software Usados na Educação. Em J. A. Valente (org.). Computadores na Sociedade do Conhecimento. Campinas: NIED - UNICAMP, p. 89-110.
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Um comentário:
Camila,
Gostei muito de seu texto, As relações que você fez com ambientes de aprendizagem e novos paradigas educacionais são pontos que penso ser muito importantes!
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